A história resume-se à viagem do autor de Lisboa à Santarém, uma vila que continha muito da história de Portugal. Enquanto narra as paisagens que vê, Almeida fala sobre diversos assuntos, passando por política, literatura, mitologia grega... e o mais impressionante é que algumas coisas que ele fala sobre a sociedade (de acordo com ele, a tendência era que o individualismo e o materialismo aumentassem cada vez mais) são bastante aplicáveis hoje em dia; é como se fosse uma profecia que se realizou com êxito.
Só em torno do décimo capítulo (até lá, zzzzZzzzzzzZzzzzzzzZzzz na maioria do texto), a história romântica começa de fato. O autor descreve uma casa onde uma velha cega, Francisca e sua neta Joaninha moravam. Era uma sexta-feira, dia de visita do estranho Frei Dinis, que amendrontava as duas (principalmente Francisca - Joaninha sentia um misto de admiração e desprezo), mas mesmo assim aquela pequena família tinha uma forte ligação com ele, por razões secretas. Carlos, primo de Joaninha e filho da filha de Francisca, morta assim como os pais de ambos os primos, também fazia parte dessa família; mas depois de estudado, ele voltou para casa para despedir-se e juntar-se as tropas realistas, sentindo que algum segredo horrível estava no seio daquela gente. Um detalhe importante: a história ocorre entre a civil portuguesa, um conflito do monarquismo X ideias liberais.
Anos passam sem mais notícias de Carlos, e é aí que chegamos no momento inicial da história, com Francisca querendo saber de notícias de seu neto, Frei Dinis o criticando por ter se tornado realista. Um pouco depois, a guerra desloca-se para a região em que eles moram, e Carlos vê-se perto de casa. Joaninha, em uma de suas andanças, é encontrada por Carlos, que se impressiona com tamanha beleza de sua prima e se apaixona, o que é reciproco. Mas o que ela não sabe é que ele tem um relacionamento com a inglesa Georgina, e fica muito em dúvida em qual deve escolher. Depois de alguns encontros Joaninha percebe que o coração de seu amado está dividido e fica #chatiada. Um pouco depois, Carlos é ferido gravemente em uma batalha e é transferido para o convento onde o tão desprezado Frei Dinis reside.
Fica lá até recuperar-se e vê Georgina, que também percebe que ele ama Joaninha e vem para terminar tudo (ela percebeu isso somente porque nas cartas que mandavam um ao outro não tinha tanta melação como antes). Lá também estão Joaninha, Francisca e o Frei, que conta o obscuro segredo: Carlos é seu filho, resultado de uma relação adúltera, e ele assassinou os pais de Carlos e Joaninha quando tentaram atacá-lo. Ele se humilha, pedindo perdão, e vendo a violenta reação do Frei, Carlos cede ao sentimento de raiva e concede o que ele desejava, mas depois foge. (é bom lembrar que o Frei não era Frei desde sempre; ele converteu-se depois do ocorrido, na tentativa de redimir de seus pecados)
Em paralelo, Garrett fala sobre as paisagens decrépitas e mal conservadas de Santarém, que já teve grande glória no passado. Ele "encontra" Frei Dinis, que conta o fim da trágica história. Em uma carta que Carlos enviou posteriormente a Joaninha, ele fala de sua natureza incorrigível e inconstante no amor, amando várias ao mesmo tempo. Um exemplo disso é as duas irmãs de Georgina, com quem ele também tivera uma história. No final ele desiste de tudo e vira um gordo e rico barão, materialista e agiota; Joaninha enlouqueceu e morreu; A avó sofredora ficou inerte, perdeu todos os sentidos e espera a hora de morrer; Georgina virou abadessa.
Na verdade a história fala um pouco da experiência pessoal de Garrett e da guerra civil portuguesa. Carlos representava as ideias liberais e Frei Dinis, austero e tradicional, as absolutistas. Carlos não consegue escolher entre Georgina (o novo, liberal) e Joaninha (o velho, absolutista). No final fracassa e se torna um materialista. A obra engloba uma crítica a sociedade e à política portuguesa, degradada e alienada.
(Rezando para que não caia muitas questões sobre ele k)
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